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As lágrimas e as vias lacrimais

Vias lacrimais

Muito bem!

Dando continuidade à nossa sessão inicial de introdução à anatomia do olho humano e a região que fica em seu entorno, hoje mostrarei para você o que é e como funciona a nossa via lacrimal.

[pullquote] Meu nome é Raphael Trotta, sou médico oftalmologista, e responsável por esse portal. Escrevi esse artigo para servir como base para o entendimento de todos os outros que vamos publicando aos poucos aqui no blog. Se você tiver alguma dúvida sobre as estruturas que estivermos abordando nos próximos posts, recorra a esse manual que contém todas as informações necessárias sobre a anatomia das vias lacrimais. [/pullquote]

Bem… Uma via nada mais é do que um caminho. Pois quando dizemos “vias lacrimais” podemos pensar justamente nisso: o caminho que a lágrima percorre desde a sua produção até a saída dos olhos. Já parou para pensar… por onde as nossas lágrimas saem dos nossos olhos? E pra onde elas vão?

Pois bem… muitos já sabem a resposta. Mas vamos por partes. Antes de saber qual o caminho as lágrimas percorrem, vamos entender melhor onde é que ela é produzida. A maior parte do volume das lágrimas é produzido por uma glândula que possui basicamente essa função. Tanto que possui o nome de glândula… Lacrimal! Analise bem essa figura aqui embaixo, antes de prosseguir com o artigo:

 

vias lacrimais

 

Glândula lacrimal e a produção de lágrimas

Muito bem. A glândula lacrimal fica na parte de cima e de fora (ou temporal superior, se preferir) dos nossos olhos. Está coberta pela pálpebra e bem confortável ali embaixo dos ossos dessa região. A lágrima que é produzida ali é escoada para os nossos olhos, com a nobre função de proteger toda a superfície ocular, lavando impurezas e mantendo uma superfície uniforme. Como outras secreções, possui ainda anticorpos e proteínas de defesa, para ajudar no combate às bactérias oportunistas.

 

Quando piscamos, a lágrima então se espalha na parte anterior do olho, cobrindo a córnea e a conjuntiva. Quando nossos olhos ficam abertos, a lágrima forma uma fina película que impressionantemente não se quebra, devido à tensão superficial proporcionada pela gordura que está em sua constituição (veremos mais à frente de onde vem essa gordura e qual a sua função). Veja que imagem interessante:

 

filme lacrimal lágrimas

 

Nessa imagem, usamos um colírio especial que fica esverdeado quando jogamos uma luz especial. O colírio se mistura com as lágrimas e quando examinamos em grande aumento, podemos ver que ele forma um filme cobrindo a superfície do olho. Quando ficamos com os olhos abertos por muito tempo ou quando nossas lágrimas não estão com uma boa qualidade, esse filme se rompe e deixa algumas regiões desprotegidas. Essa é uma causa muito comum de desconforto (até o vento quando bate no olho passa a dar uma sensação de ardor).

 

Pontos lacrimais e canalículos

Então. Uma vez que a lágrima realizou a sua função de lubrificar a porção anterior do olho, ela precisa ser escoada para algum local. Quando piscamos, existe um complexo mecanismo (que chamamos de “bomba lacrimal”) que acaba forçando as lágrimas para dentro das vias de drenagem. Quando a lágrima está ali no olho, ela tem 3 opções que pode tomar:

  1. ou a lágrima vai escorrer pelo rosto (lacrimejamento / epífora);
  2. ou a lágrima vai evaporar;
  3. ou a lágrima vai ser forçada pela bomba lacrimal para a próxima parte da VIA de drenagem: os pontos lacrimais e canais lacrimais – esse é o caminho que esperamos que ela faça! (Não queremos que a lágrima escorra pelo rosto, não é verdade? Quando isso ocorre com frequência, devemos pesquisar os motivos)

 

Muita gente nunca reparou, mas temos não só um, mas dois pontos lacrimais em cada lado! Veja nessa imagem da foto como eles são delicados:

 

ponto lacrimal vias lacrimais

 

A seta está apontando para o ponto lacrimal inferior do olho direito. Na pálpebra superior também existe um ponto lacrimal, que ajuda bastante na drenagem das lágrimas. Quando as lágrimas penetram nos pontos lacrimais, elas caem nos canalículos superior e inferior, que desembocarão (na grande maioria das pessoas) no canalículo comum.

 

Veja mais essa figura:

canalículos saco lacrimal lágrimas

 

Nela, podemos perceber que os canalículos estão desembocando diretamente em uma estrutura que tem o formato de um saco… O saco lacrimal!

 

Saco lacrimal

O saco lacrimal é uma estrutura muito importante. Quando piscamos, a bomba lacrimal faz com que o conteúdo do saco lacrimal vá para baixo, em direção ao ducto nasolacrimal (veja ele na foto) e ao nariz (onde está escrito “Meato inferior”). Quando a força da pálpebra (ao piscar) para de atuar, o saco lacrimal volta ao seu tamanho original.

 

Mas pensa comigo. Ele estava fechado, e seu conteúdo saiu de lá. Quando ele volta ao estado original, o que está lá dentro? Nada! Ora… então, forma-se uma cavidade cheia de… nada! Concorda? A isso, damos o nome de vácuo. O vácuo exerce uma pressão (como dizemos na prática: ele suga) sobre a lágrima que está ali, na beiradinha do ponto lacrimal… Assim, a lágrima segue o seu caminho para dentro do ponto e dando início a um novo ciclo.

 

Sistemas de válvulas

Mas tenho certeza que alguns espertinhos devem estar pensando. Mas Dr. Raphael… Por que a lágrima que desceu para o nariz não volta quando esse vácuo aparece? Pois veja que interessante: Volte novamente na figura: vê onde está escrito “válvula de Hasner”? Essa estrutura impede que a lágrima que já passou, volte. Interessante, não é?

 

Enfim. Quando a lágrima cai no nariz, ela é reabsorvida e segue seu caminho nariz à fora.

Bem… Tudo dito, chegamos ao fim de mais um post. Sempre que eu escrever sobre as vias lacrimais, vou colocar um link para que você retorne a esse artigo. Use-o como fonte de consulta, toda vez que tiver dúvidas com esses nomes esquisitos.

Se quiser, veja aqui mais um artigo sobre a anatomia dos olhos.

 

Até a próxima!