Olho seco

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Olá a todos! Depois de algumas semanas destrinchando um assunto extremamente importante – o glaucoma (clique aqui para ver os artigos) – voltamos hoje para uma alteração extremamente comum da superfície ocular: o assunto de hoje é olho seco! Meu nome é Raphael Trotta, sou médico oftalmologista, e resolvi escrever essa página para servir de fonte de consulta para os pacientes que acabaram de ouvir sobre o assunto e estão cheios de dúvidas sobre esse problema. Se persistirem questionamentos, agende uma consulta com seu oftalmologista e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto!

Quando dizemos olho seco, estamos dizendo, em outras palavras, que existe um déficit na lubrificação ocular, que pode ser mais ou menos intenso. O olho produz lágrimas, porém, por algum motivo, a quantidade ou a qualidade da lágrima produzida não é adequada para manter os olhos com a umidade ideal. Os olhos, quando mal lubrificados, começam a apresentar sintomas característicos, que podem ser resolvidos de forma simples na maior parte dos casos.

Olho seco é um problema extremamente frequente na prática oftalmológica. Eu inclusive arriscaria dizer que é um dos problemas mais frequentes que encontramos no dia-a-dia de consultório. Apesar de parecer um problema simples, o olho seco pode complicar com alterações graves e irreversíveis da superfície ocular. Vamos entender melhor sobre essa condição?

 

Causas do olho seco

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O olho seco é uma alteração decorrente da má lubrificação da superfície ocular, que geralmente possui uma dessas causas:

  • 1) produção deficiente de lágrimas;
  • 2) ou à sua evaporação em taxas excessivas.

 

A lágrima é uma camada protetora extremamente importante para os olhos. Além da função óbvia de defesa, ela também é responsável pela nutrição da córnea e por manter os olhos lubrificados e com uma boa mecânica, evitando ressecamento e atrito entre as pálpebras e as estruturas oculares propriamente ditas.

 

De forma geral, podemos dizer que alguns fatores podem interferir nesse equilíbrio entre produção e evaporação da lágrima, causando o olho seco.

 

As principais causas que favorecem o aparecimento do olho seco são:

 

  • 1) Baixa umidade do ar, como em situações de clima seco, ou mesmo em ambientes fechados com uso de ar condicionado
  • 2) Pouca frequência de piscar, como acontece quando realizamos atividades que demandam atenção por tempo prolongado, como acontece quando fazemos uso intenso de computador ou uma leitura prolongada – afinal, o piscar é um mecanismo extremamente importante para espalhar as lágrimas pelos olhos.
  • 3) Algumas doenças como diabetes ou hipotireoidismo
  • 4) Idade
  • 5) Algumas alterações hormonais, como a própria menopausa
  • 6) E alguns medicamentos, sendo muito comum com contraceptivos orais, por exemplo.

 

Sintomas do olho seco

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O olho seco causa sintomas que são facilmente confundidos com outras situações. É muito comum atendermos pacientes com olho seco que se queixam de uma infecção prolongada, alergia, ou mesmo dor intensa nos olhos. Como o olho seco é resultado da má lubrificação da parte anterior dos olhos, que é extremamente inervada, os sintomas podem sim ser intensos.

 

São sintomas comuns do olho seco:

 

  • 1) Sensação de corpo estranho (ou achar que está com areia nos olhos)
  • 2) Desconforto ocular
  • 3) Irritação
  • 4) Sensação de vista cansada
  • 5)  Vermelhidão, que piora principalmente pela manhã e ao final do dia
  • 6) Ardor
  • 7) Dor, que por vezes pode ser intensa
  • 8) Maior sensibilidade à luz
  • 9) Lacrimejamento excessivo (isso mesmo! Você não leu errado! O olho seco deixa o olho desprotegido. Dessa forma, qualquer estímulo – até mesmo o vento batendo diretamente nos olhos, por exemplo – atinge um olho sem a devida proteção, desencadeando um reflexo de maior produção lacrimal, que nem sempre é na frequência e qualidade necessária para lubrificação correta dos olhos).

 

Antes de pensar em tratamento, o paciente com esses sintomas deve procurar o oftalmologista. Como você pôde notar, esses sintomas são muito frequentes também em outras afecções, por isso é importante a realização de um diagnóstico correto.

 

Tratamento do olho seco

A base do tratamento do olho seco são os lubrificantes oculares, também conhecidos como lágrimas artificiais. Existem uma infinidade desses lubrificantes no mercado, cada um com uma indicação e composição diferentes. Por isso, é extremamente importante consultar um oftalmologista antes de fazer uso de um ou outro colírio.

 

Normalmente, os colírios são reservados para os casos mais leves. Géis podem ser usados em casos de olho seco de maior intensidade. Para os casos que não melhoram mesmo com esses tratamentos ou associados a distúrbios maiores, existem algumas outras opções (incluindo cirurgias, transplantes de glândulas salivares, plugues de canal lacrimal e outras opções), que devem ser discutidas caso a caso.

 

Quando não tratado, o olho seco pode evoluir para uma condição mais séria. Os sintomas tendem a piorar, principalmente com dor e ardor mais frequentes. Casos que não são avaliados a tempo podem desenvolver lesões e úlceras de córnea, que pode culminar, inclusive, com perda de visão. Além disso, pode acontecer processos anormais de cicatrização ocular e desenvolvimento de sequelas no médio e longo prazo.

 

Por isso, na presença de algum dos sintomas de olho seco, não deixe de procurar o seu oftalmologista!

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Posted on 10 de dezembro de 2014 in Doenças, Superfície ocular

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