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O que é miopia?

Miopia

[pullquote]Meu nome é Raphael Trotta, sou médico oftalmologista, e resolvi escrever essa página para servir de fonte de consulta para os pacientes que acabaram de ouvir sobre o assunto e estão cheios de dúvidas sobre esse problema. Se persistirem questionamentos, agende uma consulta com seu oftalmologista e esclareça todas as suas dúvidas sobre o assunto![/pullquote]

A miopia, assim como a hipermetropia e o astigmatismo, faz parte de um grupo de alterações que chamamos de [highlight]erros de refração.[/highlight] Para entender melhor o que é um erro de refração, é importante, primeiro, que saibamos o que é essa tal de refração.

Sem muitas complicações: refração é a capacidade de algumas estruturas (no caso, o olho) em [highlight]desviar o caminho dos raios de luz[/highlight] para focá-los em um determinado ponto.

No olho, as principais estruturas responsáveis por esse desvio dos raios de luz são a [highlight]córnea e o cristalino.[/highlight]. Se quiser conhecer melhor essas estruturas, veja esse artigo.

Quando os raios de luz atravessam essas estruturas, eles são encaminhados e focados justamente na retina (a estrutura capaz de transformar a luz em impulsos elétricos – se você quiser entender melhor como isso funciona, leia esse artigo sobre o funcionamento da visão).

Quando o foco não cai exatamente na retina, a visão fica embaçada e teremos, consequentemente, um [highlight]erro de refração.[/highlight]

No caso da miopia, a córnea e o cristalino acabam fazendo com que o raio de luz se foque [highlight]antes de chegar na retina.[/highlight] Isso acontece, geralmente, em olhos grandes (claro que estamos falando de milímetros aqui, ok?!). Veja a imagem abaixo, comparando um olho normal com um olho míope:

 

miopia

 

A miopia é um distúrbio ocular de grau popularmente conhecido como [highlight]“vista curta”[/highlight] em que a pessoa enxerga claramente os objetos de perto, porém tem a [highlight]visão borrada em relação aos objetos distantes.[/highlight]

A miopia tende a aparecer durante a infância, comumente na idade de 8 a 12 anos, mas também pode ocorrer em adultos. [highlight]Alterações genéticas[/highlight] são as grandes responsáveis por esse pequeno problema, mas estudos dizem que o uso excessivo da visão de perto (como em leituras de livros e trabalhos em computadores, por exemplo) também pode ser um risco a mais para desenvolvimento de miopia – é o que entende-se por [highlight]”teoria da miopização”.[/highlight]

Os sintomas da miopia são: [highlight]visão borrada[/highlight] ao focalizar objetos distantes, apertar os olhos na tentativa de ver claramente, fadiga (cansaço) ocular e dores de cabeça.

 

Porque a visão fica borrada na miopia?

Para enxergar, os olhos usam principalmente duas estruturas para focar os raios de luz na retina: córnea e cristalino.

Em um olho não míope essas estruturas são como lentes perfeitas que fazem um foco exatamente sobre a retina, refratando a luz recebida, de forma proporcional e completa, resultando em uma imagem perfeita do objeto focado.

Porém, nos olhos míopes a luz não é refratada corretamente, pois as estruturas têm leves alterações de curvaturas e geralmente há um discreto aumento do globo ocular (o olho fica maior) fazendo com que a imagem [highlight]atinja a retina já sem foco.[/highlight]

Segundo a Associação Brasileira de Oftalmologia 30% a 40% dos brasileiros possuem um grau de miopia. Importante ressaltar que graus elevados (maiores do que 6) de miopia podem levar ao descolamento de retina, glaucoma e outras alterações mais sérias, por isso o [highlight]acompanhamento com oftalmologista deve ser mais rigoroso nesses casos.[/highlight]

 

O que é miopia degenerativa?

Existe ainda outro tipo de miopia, chamada miopia [highlight]degenerativa ou patológica,[/highlight] que se caracteriza por ter um grau mais alto e que modifica significativamente a forma do olho, gerando a uma perda de visão mais profunda.

A estrutura do olho fica mais enfraquecida, pelo aumento exagerado das estruturas, e podem ocorrer alterações de retina e mácula.

Segundo pesquisas americanas, 30% dos casos ocorrem no nascimento, 6% durante as idades de 6 a 13 anos e tende a piorar com o tempo.

Exames precoces, [highlight]principalmente em casos onde a miopia só aumenta e já passa dos 6 graus,[/highlight] são essenciais para detectar a miopia degenerativa.

 

Tratamento da miopia

O objetivo do oftalmologista ao tratar a miopia é ajudar a luz a passar corretamente para a retina – tecido nervoso responsável pela captura das imagens e envio ao cérebro – através de:

  • [highlight]Lentes corretivas:[/highlight] óculos ou lentes de contato que atuam como uma barreira contra a mudança de curvatura da córnea.
  • [highlight]Cirurgia refrativa:[/highlight] remodela a curvatura da córnea e pode ser feita a laser de forma rápida e indolor ou através de um implante de lente intra-ocular, lembrando que essa decisão deve ser discutida com o oftalmologista, pois toda cirurgia tem seu grau de risco.

 

Acompanhamento médico e exames necessários

oftalmologista miopia

 

O [highlight]acompanhamento médico é indispensável[/highlight] para quem tem problemas de visão, não só para acompanhamento da própria miopia como para prevenção de algumas de suas complicações, como glaucoma ou descolamento de retina.

Crianças em idade escolar devem ir ao oftalmologista preventivamente para detectar o quanto antes a presença ou não de algum distúrbio ocular.

Adultos que usem óculos ou lentes de contato devem fazer consultas regularmente para que o oftalmologista possa avaliar se o grau está adequado e se não houve alterações significativas na estrutura ocular.

[highlight]Independente da idade, recomenda-se uma consulta de rotina, anualmente.[/highlight]

 

Os exames comumente feitos para avaliar a visão são:

[highlight]Fundoscopia:[/highlight] conhecido como “fundo de olho”, em que se podem detectar alterações na retina. Pode ser oftalmoscopia direta, quando o médico utiliza um aparelho simples e portátil para visualizar a retina ou oftalmoscopia indireta que é feita somente por oftalmologistas com ajuda de um oftalmoscópio que projeta luz dentro do olho permitindo que ele observe as estruturas oculares através da retina.

[highlight]Tonometria ou medição da pressão interna do olho:[/highlight] mais comum para pacientes com alto grau de miopia ou que já tenham desenvolvido glaucoma. Através de um pequeno aparelho, o médico oftalmologista pode saber se a pressão interna do olho está normal ou acima do esperado.

[highlight]Exame na lâmpada de fenda:[/highlight] feito em um aparelho semelhante ao microscópio que permite ao médico ver as estruturas oculares em detalhes.

Geralmente as miopias são pré-detectadas por professores ou pelos próprios pais através das reclamações dos filhos e alunos ao tentarem enxergar em longa distância e terem dificuldades.

Ao perceber essas dificuldades, procure o oftalmologista o quanto antes para que receba o tratamento adequado e possa conviver com a miopia da melhor forma possível. Infelizmente, não há como prevenir o aparecimento da miopia, [highlight]portanto fique atento a qualquer alteração na visão![/highlight]